Metamorfose Quase Kafkaniana

Postado por NaNa Caê quarta-feira, 30 de setembro de 2009 17:16:00

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O tempo é uma vassoura
Velha
De palha
Que leva pensamentos e acontecimentos
Bons e ruins

E às vezes é preciso se transformar em bruxa
Mesmo que seja a ponto de desvanecer
É necessário subir nesse veículo de madeira
E sumir pelos ares

E quando não há equilíbrio
A gente se segura
Conversa baixinho no ouvido dela
Faz chantagem
Diz que é conhecida da gravidade
E justamente por isso não aceitará turbulências

Abraça com força
Não se importa com as farpas
E elas de sacanagem entram nas mãos
Mas não...
Continuamos sorrindo
Porque somos imbecis orgulhosos
Não imploramos mais por pinças


Ah.. eu estou virando uma bruxa

Só me faltam os cabelos longos
A risada esganiçada
Panos pelo corpo até beijarem o chão
Peças que nunca estiveram presentes no guarda roupa
Mas agora eu as permito

Tenho minha fuga
Meus remédios
E o médico por perto
Por que não vestidos?

Tenho o mesmo contexto em que nasci
Sofri
E aprendi o que é de fato separação


Não sei se reconheço mais o caminho de volta
Não sei se suporto o calor da derrota
Não sei nada de vocês

Só confio em mim amor...

E não há corredor com luz branca
Que me deixe apática
Não me incomodo com sintomas

Na verdade olho bem fundo neles
Levanto a blusa
Mostro os meus peitos
Boto a língua pra fora

Finjo que estou pirando
Escrevo compulsivamente
Bagunço o cabelo

Por que às vezes ...

Abraçar a loucura é mais divertido do que dar a bunda para a morte

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[Ouvindo: Lily Allen - Not Fair]

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Cara de Velório

Postado por NaNa Caê segunda-feira, 28 de setembro de 2009 11:35:00

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Queira estar na cama
Hoje
Mais pro fim da tarde

O pôr do sol não será bonito
O céu não tingirá o laranja no ar

Queira fechar os olhos
Amanhã
Bem cedinho

O clarão poderá acabar com sua retina
O estrondo nada perdoará

Tampe os ouvidos
Com papel, pano ou algodão
O que vão te dizer
Não será nada agradável

E eles gostam dos detalhes
Das descrições bizarras
Quando não existem justificativas pros fatos
Calma
Eles inventam
Pra depois efusivamente relatar

Queira daqui 7 dias
Estar mais calma
Numa igreja
Bem pequena
Com poucos improváveis conhecidos

A vela derretendo
Sem pressa
Formando majestosas miniaturas
Mínimas estátuas surreais

Pessoas multicoloridas
Pintadas pelo sol
Com roupas berrantes
Gritando:
- Meus pêsames, meus pêsames

Por que aqui é o Brasil meu bem
Pretinho básico nesses tristes momentos
Só no estrangeiro


Enquanto isso o cara de branco
Em cima do altar
Morto
De sono

Lê metáforas religiosas
Em português
Ou latim
Força a dizer palavras bonitas


As que friamente vão tentar te consolar

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[Ouvindo: Cat Power - Maybe Not]

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Pornô Light/Diet

Postado por NaNa Caê domingo, 27 de setembro de 2009 17:09:00

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Chão que marca
Parede que faz sangrar

Sobe em cima
Não mede a intensidade
Não se sente a força
Não para a dor

Limpa o piso com o corpo
Mete
A cabeça na poltrona
Quase rasga a roupa

Descobre-se então que o amor fode as pessoas

Mas como foi dito que se quebraria novamente
Sem hesitações
E com toda bondade do mundo

A gente repete
Planeja
Antes atiça
Provoca

E sente tudo de novo

Conta os inevitáveis roxos no dia seguinte


Já que não há nenhuma cama para nos abrigar

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[Ouvindo: The Strokes - 15 Minutes]

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O Vazio Deixa Hematomas

Postado por NaNa Caê 16:13:00

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As vezes bate um vazio
Mentira
Na verdade o vazio que bate em mim


E não há nenhuma técnica marcial
Que me faça revidar
Não com a tamanha força que ele me atacou


E eu lembro de tudo


Porque sou apenas uma pseudo desmemoriada
Que finge esquecer coisas
Só pra não sofrer descaradamente

Na frente de certas pessoas

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[Ouvindo: Los Hermanos - Fez-se Mar]

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A Verdade Está Com Ela

Postado por NaNa Caê sexta-feira, 25 de setembro de 2009 10:22:00

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Você vive como se tivesse 30
40 anos
Mas não vê que ainda nem chegou aos 20

O motivo dela dizer isso
Ainda nao sei

Talvez por que as decisões
Pesem como chumbo
Nas sacolas que amarrei
Com corda firme
Aqui
Em meu pescoço

E os nós de tão cegos
Não podem mais pra nenhum lado olhar
Não enxergam então quais amarras são as frouxas

Nesse desespero
Se confundem
Fazem parte de invenções
Que sequer pescadores criariam

Quando vamos embora
Para demonstrar seu profundo
Mas não perceptível conhecimento
Ela fala
Baixo
Quase que pra dentro:

- Parece as vezes que você está prestes a morrer

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[Ouvindo: Los Hermanos - Dois Barcos]

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