Misantropia ?

Postado por NaNa Caê sexta-feira, 30 de outubro de 2009 11:12:00

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Ah você é a meretriz que brinca junto a solidão
Com seu vestido rodado em pleno coquetel
Dança

Foi o comodismo meu bem
Foi nele que eu meti o pé

Não se preocupe
Eu não penso em te machucar

E quando o álcool bate na sua cabeça
Bate preciso
Chega
Não apenas de uma só vez
Mas em todos segundos
Tortura contínua
Tontura francesa-latina

E eu te sigo nesse compasso de 360 graus

O giro não me derruba
Mas a presença dos 30
Da maldita lista
Sim

Que eles passem por mim enquanto se tornem eventualmente cegos

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[Ouvindo: Interpol - Wrecking Ball]

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As Pernas São Minhas, Corro Sim Porra!

Postado por NaNa Caê 10:57:00

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O impossível a persegue
E ela anda tão cansada de correr
Para pra pensar
Não seria melhor se esconder?

Falta
Dinheiro
Carro
Gasolina
Tempo
Paciência
Aprovação

Sobram
Dívidas
Kilômetros
Asfalto
Mau humor
Descrença
Decepção

Ela não quer progresso
Regredir já estaria de bom tamanho

Mas as vezes até mesmo voltar para onde tudo começou pode ser complicado

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[Ouvindo : Interpol - Who Do You Think]

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Amando Bourdieu

Postado por NaNa Caê quarta-feira, 28 de outubro de 2009 23:55:00

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Ele me fez entender

Cores
Tecidos
Significados
Significantes
E sinais antes oblíquos

Ele analisou ninguém mais
Ninguém menos que Dior

Não usou de delimitações pré-fúteis
Ignorou preconceitos sociológicos
Homogenizou minha paixão
Tida como supérflua pequenina
Ás gigantescas belas artes
Da poesia a filosofia

Li
Reli
Quase decorei
Aprendi
Da alta costura
Á alta cultura

Realmente...

A moda vai bem além de apenas criar o que vestir

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[Ouvindo: Mutantes - Baby]

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Eyeah Asher Eyeah

Postado por NaNa Caê quarta-feira, 21 de outubro de 2009 09:59:00

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Olha a pele
Escura
Mas não é culpa do sol

De manhã entra no carro
Para no trabalho
Fica fechada até o meio dia
Em casa se esconde esperando o horário
O relógio apitar em ponto
Gritando “são seis”

Novamente entra no carro
Desce já na porta
A rotina acompanha outra vez
Na sala
Gelada
Até as dez

Não, ela não anda para trás
Não, ela não carrega doces no bolso
Não, ela não é filha do Michel Jackson

Mas uma coisa é certa
Sabe que a cabeça quando inquieta
Não pende apenas para uma vertente
Joga nos dois times
Dança que nem valsa
Pra lá e pra cá
No maniqueísmo
Parece barata tonta
Corre para todos os lados

Exerce sua obsessão de observar e inventar
Num tiroteio criativo
Salva e fere as idéias
Das bonitas, agridoces até as mais escrotas

Olha para pele
Continua escura
Marrom que nem a cantora
Pensa ser um alpino
O que irrita
Degustativamente a fere
Sempre preferiu chocolate branco


Olha para pele
E pela de medo
Fulmina raiva
Tenta se convencer que será pela última vez

Dorme com o peso
Da escuridão das palavras
Tampando os poros
Tingindo diariamente sua efusiva pessoa
Que de eufórica possui apenas a mente

E não venham com aquela velha teoria desgasta
De que fique cada um no seu quadrado
Ela quer é um retângulo
Vermelho luminoso
Piscando “saída, saída”
Cogita a melhora com sal grosso
Um banho pra tirar o excesso da tinta
Acumulada pesadamente por tanta escrita


Mas e se foram realmente
Os coitadinhos no nazismo
Que inventaram a esperança?
Aqueles branquelos narigudos
Cheios de eyeah asher eyeah
Para toda incógnita pessoal e derivada?

Relaxa
A memória volta
Sente-se aliviada

Lembra que carrega nas veias
A forte descendência dos judeus

Puro comodismo cultural-biológico

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[Ouvindo: Carla Bruni - Toute Le Mond]

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Pra Puta Que Pariu o Yann Tiersen

Postado por NaNa Caê segunda-feira, 19 de outubro de 2009 16:37:00

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Por que eu fui dar o tiro de largada?
Balançar a bandeira do start?

Agora elas ficam correndo
Em circulos
Sem parar
E já não sei mais como distinguir
Palavras de pensamentos
Dia a dia de fantasia

E nessa maratona elas não cansam
Apenas eu fico prostada
Com sede
Tonta de tanto escrever

E quando percebo já são três
Quatro
Cinco da manhã

Nunca gostei de culpar quem não devia
Então não reclamo da insônia
Pra quê jogar essa responsabilidade
Esse peso nas costas dela?

Não olho mais com cara feia pra coca cola
Nem pro café

Tenho que dar um puxão de orelha é nas palavras
Soltas
Se espremendo
Empurrando
Uma a Uma
Em água corrente

Afogo-me
Mais e mais
Bem aos poucos

Só eu sei como esse líquido de rimas incomoda.

Não preenche a alma
Muito menos o coração
Só me rouba os dias
Noites
As horas

E fico a ver navios
Aqui
Navegando
Dentro de mim

Crio personagens para cada embarcação
Os faço chorar quando quero
Não costumo os consolar
É terrorismo mesmo
Tortura na busca de inspiração

Tudo isso enquanto Yann berra através das mãos
Machucando-me forte com seu piano

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[Ouvindo: Yann Tiersen - Dishes]

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