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NaNa Caê
domingo, 29 de janeiro de 2012
14:30:00
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Você não pode entrar nos meus textos, senão ficará também na minha vida, na minha cabeça enquanto espero o café ficar pronto, enquanto o espero acabar.
Você não pode entrar nos meus textos, senão ficará também nos meus pulmões, preencherá todos alvéolos e bronquíolos. Se sufocar por alguém que se atrasa meio segundo não rende compassados ritmos cardíacos.
Você não pode entrar nos meus textos, senão aparecerá em todos desejados ‘bom dia’, ‘tarde’, ‘noite’, pensamentos como ‘durma comigo’.
Você não pode entrar nos meus textos e destruir tudo o que já foi pensado, medido e escrito. Romantizar meu destino de achismos pessimistas não era bem o que eu esperava de você.
Você não pode entrar nos meus textos, na minha casa, calça, blusa ou em mim.
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[ouvindo: air - playground love]
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NaNa Caê
sábado, 7 de janeiro de 2012
16:51:00
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Construí um bazar sentimental e me doei. Não de uma forma altruísta. Muitas vezes a gente encara as pessoas apenas pelo sexo, beleza, ou qualquer outro interesse. E então não existe mais coragem de voltar pro outro lado do trilho. Porque vai que o trem passa na hora, vai que o pé se prende, vai que. Nada vai acontecer, não iria. A todo tempo nos estranhamos, perdemos o que parecia essencial e em resquícios de malquerença não o é mais. Vai que eu vá embora, você se manteria na linha por mim? O seu calor não derreterá o aço entrelaçado, não é assim que se para alguém. E a cada decepção ou lapso de rancor me lembro mais da possibilidade de tudo acabar. Não posso te pagar pra viver, não posso te prostituir pra ser alguém melhor. Não posso te empurrar até que ande nos trilhos sem tropeçar e perder o passo. Não me importaria se perdesse também as pernas e não pudesse mais correr como se fosse a melhor. Você nunca chegou em primeiro, mas sempre caminha como vencedora.
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[Ouvindo: Vanguart - Engole]
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NaNa Caê
sábado, 31 de dezembro de 2011
02:44:00
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É difícil amar uma pessoa de modo fácil. Você pode confundir e não achar verdadeiro. Nos livros sempre é complicado quando a paixão vai ser duradoura e se transformar em pra sempre. Nos filmes tem que existir também batalhas pelo estar próximo do outro.
É difícil amar uma pessoa de modo fácil. Você pode cometer exageros ao tentar surpreendê-la, se passar por demente, lunático ou aparentar ter algum psico-defeito-qualquer. Enquanto ela só queria seguir a rotina, te beijar noite e dia e quando se sentisse entediada, você a beijar dia e noite.
É difícil amar uma pessoa de modo fácil. Você pode se transformar em soro, aparentar ser sem sal, sem açúcar, sonso, parecer necessário só quando o outro está caído, fraco, se tornar uma reanimação quase profissional, médica.
É fácil amar uma pessoa de modo difícil. Você sabe que a possibilidade de planos se concretizarem é remota, utópica, mas doces que nem Romeu com Julieta a mais. E então pra não morrer desnutrido, come 6 refeições diárias, só da sobremesa, no fim morre de diabetes com a boca cheia de formiga.
É fácil amar uma pessoa de modo difícil. Gostar de alguém não é complicado, carregar a vida do outro nas costas e dar a sua pra ele também levar que é assustador. Ninguém simplesmente sai de um útero emanando o coro do quero-ser-burro-de-carga-de-alguém.
É fácil amar uma pessoa de modo difícil, difícil mesmo é amar uma pessoa de modo fácil, por um longo tempo.
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[Ouvindo: Caetano Veloso - Odeio]
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NaNa Caê
segunda-feira, 19 de dezembro de 2011
21:58:00
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Destino esquerdo que o marca
Com malícias e sumiços
Destino direito era manco
Ou nunca existiu (?)
Destino volver que o fez arrastar
Por estradas sua cara empoeirada
Amaciando bochechas em cascalhos
Riscando dentes com pedrinhas
E mesmo que desse corda aos relógios
Transplantasse pedaços do coração para eles
Não diriam o que por ali já aconteceu
E mesmo que conseguisse camas a sua altura
Sentiria os braços caírem à noite
Tocando o chão
Servindo de ponte
Para seu tronco moreno amadeirado
E o comeria feito raiz doce de verniz
Devia ser agouro do pai judeu
Fugitivo, agora carpinteiro
Devia ser sorte da mãe brasileira
Autêntica puta faceira
Devia sorte demais por ter nascido vivo
Em meio a um curral de burros tão inteligentes
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[Ouvindo: Lykke Li - I'm Good. I'm Gone]
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NaNa Caê
21:40:00
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Havia um cemitério em cada cômodo
Em cada círculo valas flutuantes
Quando escurecia se acendia o fogo
Que esquentava o corpo
Atraídos pela claridade
Aproximavam-se drogados de luz
Pra cada luminária
Enchia-se novamente de insetos
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[Ouvindo: Lykke Li - Let It Fall]
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