Talvez o Único Corrido

Postado por NaNa Caê quarta-feira, 13 de janeiro de 2010 20:17:00

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Acabei de assistir a um filme que eu estava enrolando para assisti-lo durante essa semana. E a única conclusão que cheguei foi: filmes deveriam ser proibidos. Por que muitos acabam nos fazendo pensar em coisas que de certo modo evitamos, seja pra nos proteger, ou sei lá, por que talvez nós já conheçamos essa tal sensação e no fim, no fim mesmo, literalmente quando acabam, elas não nos fazem bem.

Não falarei o nome do filme. Pelo menos não hoje, não agora, ser explicita nesse segundo talvez não seja o melhor.

Estou sentada no meio da grama, tudo escuro. Decidi que fumaria a carteira inteira, mas não consegui como de costume quando tenho surtos. Estranhamente parei no maldito terceiro cigarro. Não por consciência de que eu não deva fumar tanto, que nicotina faz mal, vicia. Não. Mas sim por que descobri a tempo que isso aqui não é um surto. Como em outros ímpares e escassos momentos isso aqui é a sinceridade.

Sentimentos. Tudo é sentimento. Sejam bons ou ruins, tudo se resume ao sentir. Ninguém consegue ser insensível, frio por completo. Nem mesmo eu.

Paro pra pensar, tento contar quantas vezes já chorei, quantas vezes fiquei péssima por que outros choravam por mim. Não por educação, não por que era condizente, não por que eu precisava passar uma imagem do estilo oi sinto pena de você. Mas quantas vezes eu já chorei por que o outro se importava mais do que devia por mim? Todos esses choros foram sinceros, não seguiram a teoria da ação e reação ou do fluxo Maria vai com as outras. Eu chorei por que doía ver que sabiam chorar, que conseguiam de fato arrancar água salgada dos olhos por mim. E não brotava lógica em minha cabeça, pessoas se importando sinceramente comigo, com o que eu sou.

Quero deixar o choro de lado, como diria Young (se não me engano) eu gosto da chuva por que ela me poupa de chorar, teoricamente ela poupa, na verdade ela faz é simplificar, esconder, disfarçar aquilo que vai dissolvendo na água que cai do céu.

E continuando com Young, disfarces esgotam a pele, vamos fingir então que somos realmente, completamente superficialistas e que pensamos apenas em nosso rostinho bonito, cutes e blá blá blá.

Quando você se depara com uma pessoa que mais parece um espelho e ela o faz refletir de imediato sobre seus erros isso acaba te enlouquecendo. Não enlouquecendo. Droga. Não é essa a palavra do encaixe perfeito aqui. Quando você vê uma verdade crua demais ela te incomoda. Então é isso. Incômodo do cru .

Até que ponto você deve assistir a merda de um filme e perceber que o seu egoísmo não é único, mas também não é nem um pingo bem vindo, não é aceitável ao lado da felicidade? E felicidade é tão simples. O egoísta não.

Até que ponto você pode fugir de decisões apenas para não sobrecarregar as suas costas?
Sedentarismo fode com a gente. E a nicotina novamente fode também. Ela nos tira o fôlego.

E como agüentar caminhar um longo percurso, com tanto peso se a respiração em poucos minutos já se apresenta falha?

Quem sabe eu seja apenas uma falsa filha da puta que está fantasiando, criando todas essas situações e questões em minha cabeça.

Só pra ter mesmo o que falar, movimentar a boca diante do próximo

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[Ouvindo: Archive – Controlling Crowds ]

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